Associação oficial de escritores itaunenses com o objetivo de divulgar a literatura local, bem como zelar pela cultura das letras.
domingo, 14 de abril de 2024
Que Viagem!
sábado, 13 de abril de 2024
"Segredos Infernais em busca de redenção"
Finalmente abro os olhos depois de uma péssima noite de sono, os olhos ardendo de tanto chorar e uma dor de cabeça incessante. Me levanto e vejo o estado de meu quarto, meus lençóis desarrumados, minha cama revirada e... Ah, não! um corpo ensanguentado no meu tapete!
O pesadelo foi real, tudo é real, as instruções foram claras, para sobreviver preciso fazer isso... Ah... Você não deve estar entendendo nada, não é?
Tudo o que me lembro é acordar neste lugar, preso nesse quarto, sem lembrar meu nome, e pura escuridão...
Não sei o porquê de estar aqui, nem quem me prendeu aqui, só sei que eu preciso fugir, preciso desaparecer senão B vai morrer...
sexta-feira, 12 de abril de 2024
UM PEDAÇO DA HISTÓRIA DO CARNAVAL DE ITAÚNA
Por Phonteboa
“Não se sabe ao certo quando surgiram os bailes de carnaval e os desfiles de rua em Itaúna. Os primeiros registros de que se tem notícias são da criação do “CLUBE UNIÃO OPERÁRIO ESPORTE CLUBE, em 1929, que funcionou inicialmente em um cômodo alugado na Praça da Matriz e era presidido pelo Sr. Isaurino do Vale e Sr. José Herculano Pereira, e que só realizava danças de salão. Em 1936, surgiu o CLUBE FLOR DO MOMO”, com sede na Rua Santana e tendo como Diretores os irmãos Antônio Quirino da Silva e Joaquim Quirino da Silva, também dedicado a danças de salão nos primeiros anos de funcionamento.Em 1944, um grupo nascido na Rua da Ponte que se denominava “BLOCO FLOR DO MOMO”, o mesmo nome de um clube social instalado em 1936, na Rua Santana, mas entidades diferentes. Foi a família de Antônio Tomás que teria começado com o desfile do “Bloco da Flor do Momo”, que subia a Rua Silva Jardim e desfilava na Praça da Matriz. Depois do “Bloco da Flor do Momo”, outros grupos começaram a surgir. Assim surgiu a “BANDA DO CAROÇO ENCRAVADO”, que trazia instrumentos musicais confeccionados na oficina do Zeca Franco, usando bacias velhas, urinóis, frigideiras e outros objetos domésticos. A banda era composta pelo próprio Zeca Franco, pelo filho Afonso, por Zé Caldeireiro e por alguns ferroviários locais.”
terça-feira, 9 de abril de 2024
Jardineiro de flores, frutos e almas
Prof. Arnaldo de Souza Ribeiro
Uma viagem de lotação - O “esporte” mais radical do planeta!
(texto produzido em 1990, em uma bem-humorada abordagem à situação do transporte público em Itaúna)
Sempre vejo na tevê, reportagens sobre os esportes radicais. Uns escalam montanhas, outros pulam delas. Alguns outros surfam no espaço. Tem também aqueles atletas que fazem questão de subir e pular das montanhas, surfar no espaço e, ainda, experimentar o friozinho na espinha, quando praticam o “bung jump” e coisas do gênero. Eu, grande atleta dos levantamentos de copo de fim de semana, tenho nas viagens de lotação o esporte mais radical como prática. E quem acha que andar de lotação não é esporte radical é porque nunca experimentou a viagem.
Uma “boa” viagem de lotação, logo após o almoço, por estradas esburacadas, cheias de curvas ou calçamento, é “esporte” dos mais radicais. No calçamento, temos a impressão de que estamos sendo repartidos em centenas de pedacinhos. Até a voz da gente se quebra. E-u-j-á-v-i-v-i-g-e-n-t-e--t-e-q-u-e-q-u-e-b-r-a-r-a-a-a-d-e-n-t-a-d-u-u-r-a-a (ufa, parou um pouquinho), tentando falar quando o lotação segue pelo calçamento. Teve até o caso do cidadão que viu seu olho de vidro “saltar” do globo ocular, ao tentar ler (com o olho são, é lógico) uma notícia de jornal. Em rua esburacada, principalmente para quem anda no banco de trás, a experiência é inesquecível.
Dia desses, num baque que o lotação deu ao passar sobre um buraco, uma mocinha que estava no banco de trás caiu sentada no colo de um passageiro que ia no banco da frente. O rádio do velhinho mudou de emissora, uma mulher ficou com os seios (enormes) para fora do vestido e as lentes de contato de uma bichinha caíram no saquinho de pipocas do casal de namorados.
E as curvas? Não há montanha russa que supere. Lotação velho fazendo curvas a sessenta quilômetros por hora é coisa para ocupar todos os santos que a gente conhece... “Valha-me Santo Antônio, São Pedro, São Judas, São José...e o ‘são motorista da curva perigosa... ai!"
Mas até agora só falei das coisas “normais” de uma viagem de lotação e já tem atleta radical morrendo de inveja. Pois é, rapaziada, vocês vão babar com o que eu vou contar a seguir. Entrei no lotação pela manhã e, por acaso, eu estava atrasado e o veículo lotado. Levava agenda, um livrinho para distrair no percurso e um minigravador. Ao meu lado encostou uma mocinha na formosura dos 15 aninhos. Atrás dela um séquito de rapazinhos uniformizados. Estudantes, detectei. Nos assentos, várias crianças que não pagaram passagem. Suas mães, fingindo que não conheciam ninguém para não precisar ceder o lugar dos “anjinhos”. Um menino tirava melequinha do nariz e limpava no cabelo da coleguinha.
Tentei me concentrar no livro. Mas, na primeira freada, bati com o livro e o gravador na cabeça de um senhor e o livro foi parar dentro da sacola de uma senhora que estava no banco da frente. A mocinha formosa teve que se virar para não ser esmagada pelos estudantes que, em conjunto, aproveitaram para dar uma “esbarrada” nela.
Recompostos, seguimos viagem. Um ponto à frente, entrou uma senhora, daquelas gordonas, pesando mais que cem quilos. Aquelas arrobas todas, um verdadeiro mulherão, sobrando carne/gordura para todo lado, se dirigiu para a roleta. Eu quis pedir para ela não fazer aquilo, mas não deu tempo. A dona redonda “entalou” na roleta. Aí, começou a maior gritaria:
- Pára motorista. Socorro. Me tira daqui!!!, implorou a dona gorda.
- Cruuuzes, a mulher entalou, tadinha!!!, gritou o rapazinho afeminado.
- Pô meu, a gorducha “sifu”... comentou o descolado.
- Ó meu Senhor, ajudai-me. Vade retro satanás!, apressou-se a evangélica.
Lá estava a gorda, bufando, suando muito e tentando se mover. O lotação parou. Fomos todos ajudar, afinal, esse era o nosso dever.
- Puxa ela... não, empurra... passa graxa nela que escorrega e sai...
Palpites não faltaram. Mas com tantas tentativas a mulher não se movia um centímetro. Um rapaz tentou empurrá-la pela barriga.
Aconteceu o que eu temia: um ruído abafado (fffuuuuufufiiiuuu), acompanhado de um cheiro de ovo chôco, tomou conta do local. As janelas, que até então estavam fechadas, se abriram como se fossem automáticas.
Passado aquele momento, resolvemos organizar um grupo de salvamento e preparar um ‘esquema tático’, como disse o desportista, para solucionar o problema. Eu, como sabiam, homem das letras, fui escalado para fazer a ata de fundação do “primeiro grupo de salvamento para acidentes e incidentes com coletivos na cidade de Itaúna”. Também tive que secretariar aquele primeiro “trabalho” da entidade recém-criada.
Várias outras funções foram distribuídas por um mestre-de-obras que assumiu a direção da empreitada. Partimos então para elaborar um plano minimamente exequível. Depois de discutirmos os prós e os contras da ação, resolvemos que duas turmas de dez homens cada uma, trabalhariam no local. Os dez primeiros empurrariam a senhora obesa pelas costas, nádegas (e que tamanhão) e onde mais pudessem colocar as mãos. Os outros dez puxariam nossa “vítima” pelos braços, pernas, cabelos, beiço, orelha, etc...
Depois de muito forçarmos, a senhora desentalou, provocando um estrondo com a pressão e atingindo os dez que a puxavam, em cheio. O saldo foram algumas avarias e costelas quebradas. Um aaahhhh, de alívio, percorreu todo o lotação quando, finalmente, o motorista deu partida para retomarmos a viagem. Andamos por mais uns 600, 700 metros, quando uma outra senhora obesa fez sinal para o ônibus parar. Um senhor, magrinho, com jeito de anêmico, que até então permanecera calado, gritou para o motorista:
- Se parar o ônibus eu vou dar uns tiros aqui dentro!
Seguimos viagem. Vinte minutos depois, chegamos ao centro da cidade, todos descabelados, empoeirados, com as roupas amassadas, mas com aquela cara de burra felicidade dos atletas que optam pelos esportes radicais.
segunda-feira, 8 de abril de 2024
Infinito
Elina Dirce (Tia Elina)
Sigo em frente, rumo ao horizonte,
Sem me deter. Sei onde piso.
Nos lábios, leve sorriso
Pela alegria de um novo dia.
Ao longe, o azul da montanha.
Meu lugar não é aqui...
Nem ali...
É muito além.
Do fio, da montanha, da artimanha...
É muito aquem do que fito...
Meu lugar é o infinito.
(BERNARDES, Elina Dirce de Oliveira. Paçoca de Pilão. (no prelo). p. 46)
DEUS
Magella Moreira
Experimente misturar um punhado de sal na água e de a uma pessoa para beber sem que ela saiba que aquilo se trata de uma mistura. A água continuará cristalina como era antes do sal ser acrescentado, porém em um único gole a pessoa conseguirá sentir o sabor salgado na boca.
Assim é Deus!
Você não precisa vê-lo para saber de sua existência, apenas sente. Trata-se de uma questão de intimidade e de experiência na fé. Mas eu sou ateu e não acredito que Deus exista! Basta só que o avião comece a cair ou que sua cabeça esteja na mira de um revólver de um bandido, que num piscar de olhos o primeiro nome que você chama é o Dele.
Indiferente da religião, Deus é um só, mas nos dias de hoje é legal ser diferente. O famoso efeito manada faz com que uma maioria não pensante questione a Sua existência. E está tudo bem. Deus não precisa de você, é você quem precisa Dele!
domingo, 7 de abril de 2024
Sob o olhar de suas mãos
PAPAI
Vem chegando o meu papai
E a casa toda se enche
De grande contentamento
Pois vida nova ele traz.
De seus bons ensinamentos
Muito se pode tirar
E a gente quando crescer
Sua estrava vai trilhar
Com vontade de vencer.
Todo o afeto que eu trago
Guardado no coração
Eu lhe ofereço Papai
E hoje com muita emoção
Agradeço muito, muito
A sua dedicação.
Que todos os pais presentes
Seja hoje abençoados
E por seus filhos queridos
Sejam mais e mais amados
Feeicidades sem fim
A estes pais adorados.
sábado, 6 de abril de 2024
Otimismo
Vera Silva
Os seres humanos são diferentes.
Todos têm dificuldades, mas a forma de enfrentá-las não é única. O que para alguns é simples, para outros é difícil e vice-versa. Por exemplo, há quem toca guitarra melhor e aprende rápido. E há quem não sabe tocar, mas todos, com instruções, disciplina, tocarão melhor do que os tocadores de agora. O otimismo é uma visão positiva do presente e do futuro. O otimismo pode ser definido como o agrupamento de vários elementos importantes à vida humana, entre eles:
- o pensar esperançoso que permite insistir diante de tantas dificuldades;
- ter atitude, vonte de continuar o aprendizado a vida toca;
- coragem e capacidade de mudar a visão de si e em sua volta.
O ser humano otimista aprenderá mais, abrindo com isso, novas posssibilidades de vida positiva para ele a para muitas pessoas.
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| Foto: Sammie Chaffin Uso sob a Licença da Unsplash |
Os Girassóis de João
Maria Lúcia Mendes
Avó e neto passarinhavam na vagareza da tarde.
Caminhavam devagar, enquanto uma brisa leve balançava os ramos e os pássaros apressavam a volta aos ninhos. Cigarras arteiras chiavam, sem descanso, enquanto um bem-te-vi pôs-se a cantar estridente: Bem-te-vi, bem te vi, te vi, ti vi.
- Pois me vistes, cala-te o bico. - falou alto um senhor de óculos, provocando risos nas pessoas que passavam. E não é que o tagarela obedeceu? O menino seguia calado, sempre de mãos dadas com a avó, atento a tudo o que via ao redor. Nisto, ao passarem rente é um velho muro, já sem reboco, o pequeno pára e grita:
- Olha, vó! Olha isto! Olha! - Custando a enxergar o que o neto apontava, ela chega mais perto para ver o que João olhava com tanta alegria. Era uma flor miudinha, brotada na greta de um tijolo, pequena como um grão de feijão. Surdo aos apelos da avó, para seguir em frente, o menino demorou o quanto quis e, ao sair, tornou a olhar a flor e disse sorrindo:
- Adoro girassóis!
De um lugar surreal, naquele instante, Vicente Van Gogh, coçou a orelha e afagou seus pincéis.
(MENDES, Maria Lúcia. Os girassóis de João. Editora Ramos: Itaúna, 2023, p.101-102)
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